1985-2009
Soares e Cavaco são as duas figuras mais importantes da minha memória política activa, as únicas, suponho, a quem a História portuguesa dedicará mais que duas linhas. Nunca fui soarista nem anti-soarista. Nunca fui cavaquista nem anti-cavaquista. Nunca votei em nenhum deles.
No caso de Cavaco, é impossível não reconhecer a enorme modernização do país durante o seu consulado. Mas nunca apreciei a entourage cavaquista, e não morro de amores por aquele perfil antigo de político «sério, honesto e trabalhador». São tudo qualidades estimáveis, sem dúvida, mas há outras virtudes que fazem um grande político. Gostar de política, por exemplo. Ter auto-ironia. Ser corajoso e frontal. Ir um pouco além da competência tecnocrática.
Agora, o legado cavaquista está cada vez mais manchado. A catrefa de ex-governantes ligados a crimes financeiros, a encenação grotesca de um Watergatezinho luso e a derrota da ex-ministra mais parecida com Cavaco parecem o princípio do fim do cavaquismo. Assim seja.

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