9/07/2009

Diplomacia social

A verdade é que todos os Paveses em cinema são bons: Straub/Huillet, o Agosto de Jorge Silva Melo e o Antonioni (nunca vi Il Diavolo Sulle Colline de Cottafavi). Le Amiche (1955), adaptação da novela Tra Donne Sole, é Antonioni antes de se tornar poseur (e eu até aprecio esse Antonioni pretensioso). Um drama burguês filmado com elegância e contenção, mas com sangue nas veias. E com aquela alegria angustiada das cenas de grupo em que o cinema italiano é perito. As «três mulheres sós» (por feitio, acaso ou promiscuidade) circulam pela entediada burguesia turinense, numa indolência sempre a um passo da tragédia (e Pavese também é isso). Cleia, uma estilista que veio de Roma para Turim, percebe que a mudança de cidade trouxe também uma mudança ética. Cito de memória: «Em Roma, as mulheres querem gastar pouco e parecerem ricas; em Turim, gostam de gastar muito e parecer remediadas». E acrescenta, quase cínica: «Diplomacia social». Cansada dos jogos de amores turinenses, ela regressa a Roma, talvez apostada numa vida emocional em que passe por rica gastando pouco. Quem puder que atire a primeira pedra.