Exclamação
Correu em diversos blogues e jornais a «notícia» de que haveria um «movimento» destinado a «proibir» o ponto de exclamação, movimento esse que teria como «manifesto» um texto meu.
Percebi pelo chinfrim que a minha crónica (Público, 12 de Maio de 2007) tinha certamente razão num ponto: o ponto de exclamação é muito amado por quem gosta mais de espalhafato do que de exactidão.
O que aconteceu foi simplesmente isto: houve vários bloguistas que citaram com simpatia essa minha crónica, uma vez que também são pouco exclamativos. Um conjunto de opiniões individuais, que motivou uma «campanha» irónica, e que eu de todo não «inspirei».
A minha crónica não diz que o ponto de exclamação devia ser abolido, muito menos «proibido», uma ideia lunática. Eu não gosto de exclamações, como não gosto de gritos. Que as pessoas gritem, é com elas, desde que o façam em sua casa, antes das dez da noite. O mesmo com as sinalefas.
Escrevi na tal crónica que não usava pontos de exclamação nos meus textos, e expliquei porquê, reconhecendo no entanto que nalguns registos (o diálogo, por exemplo) pode ser útil, e que até há génios da exclamação (Céline e o Capitão Haddock).
Agora inspirar «movimentos»? É coisa de que fujo como o diabo da cruz. Exigir «proibições»? Logo eu, que detesto proibições e que até tomei posição pública contra o patrulhamento da língua portuguesa.
Aliás, se os meus tresleitores exclamassem menos e lessem com mais atenção, tinham dado com o último parágrafo do texto, que começa assim: «Não pretendo embarcar em nenhuma campanha proibicionista, recolhendo assinaturas para o fim da exclamação, muito menos quero a exclamação extinta por um decreto de qualquer Academia».
Mas quando se está aos gritos não se ouve o que os outros dizem. QED.
[crónica republicada no Ciberdúvidas]
Percebi pelo chinfrim que a minha crónica (Público, 12 de Maio de 2007) tinha certamente razão num ponto: o ponto de exclamação é muito amado por quem gosta mais de espalhafato do que de exactidão.
O que aconteceu foi simplesmente isto: houve vários bloguistas que citaram com simpatia essa minha crónica, uma vez que também são pouco exclamativos. Um conjunto de opiniões individuais, que motivou uma «campanha» irónica, e que eu de todo não «inspirei».
A minha crónica não diz que o ponto de exclamação devia ser abolido, muito menos «proibido», uma ideia lunática. Eu não gosto de exclamações, como não gosto de gritos. Que as pessoas gritem, é com elas, desde que o façam em sua casa, antes das dez da noite. O mesmo com as sinalefas.
Escrevi na tal crónica que não usava pontos de exclamação nos meus textos, e expliquei porquê, reconhecendo no entanto que nalguns registos (o diálogo, por exemplo) pode ser útil, e que até há génios da exclamação (Céline e o Capitão Haddock).
Agora inspirar «movimentos»? É coisa de que fujo como o diabo da cruz. Exigir «proibições»? Logo eu, que detesto proibições e que até tomei posição pública contra o patrulhamento da língua portuguesa.
Aliás, se os meus tresleitores exclamassem menos e lessem com mais atenção, tinham dado com o último parágrafo do texto, que começa assim: «Não pretendo embarcar em nenhuma campanha proibicionista, recolhendo assinaturas para o fim da exclamação, muito menos quero a exclamação extinta por um decreto de qualquer Academia».
Mas quando se está aos gritos não se ouve o que os outros dizem. QED.
[crónica republicada no Ciberdúvidas]

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