O que temos de mais precioso
Há uns meses, esteve em Lisboa a célebre Schabühne de Berlim, com John Gabriel Borkman (1896), a penúltima peça de Ibsen, encenada por Thomas Ostermeier. O timing foi perfeito, uma vez que Borkman trata a crise do capitalismo (e especialmente dos bancos), que é hoje o tema principal da nossa vida colectiva. Mas essa leitura imediata será a mais produtiva?
John Gabriel Borkman é um banqueiro idealista e corrupto, sedento de ascensão social. Filho de um mineiro, quer «fazer cantar o ouro», quase como se fosse um projecto poético. Ele é um homem de negócios, um adepto do progresso, e justifica os seus delitos como meios eventualmente desonestos para atingir fins honestos. Ganancioso altruísta, quer ao mais tempo criar riqueza e enriquecer. Nesse sentido, Borkman é uma figura trágica do capitalismo, muito diferente do caricatural capitalista obeso, cúpido e mastigando charutos. Caído em desgraça, foi preso e agora vive no primeiro andar de sua casa, isolado de todos os outros.
Esta peça é também sobre aquilo a que alguém chamou a «bancarrota emocional». Borkman, tal como Solness de O Construtor Solness (1892) parece um auto-retrato de Ibsen, um homem ambicioso que revela uma frieza de coração. Não é só a culpa e o casamento estagnado, mas o próprio desejo desmedido de grandeza e a instrumentalização de terceiros.
Borkman perdeu a reputação e perdeu a alma. Ao ter abandonado Ella em favor de um casamento de conveniência, cometeu um crime mais grave do que qualquer falcatrua financeira. É por isso comovente quando ele reconheça à própria Ella: «Nem sempre a vida é o que temos de mais precioso».
John Gabriel Borkman é um banqueiro idealista e corrupto, sedento de ascensão social. Filho de um mineiro, quer «fazer cantar o ouro», quase como se fosse um projecto poético. Ele é um homem de negócios, um adepto do progresso, e justifica os seus delitos como meios eventualmente desonestos para atingir fins honestos. Ganancioso altruísta, quer ao mais tempo criar riqueza e enriquecer. Nesse sentido, Borkman é uma figura trágica do capitalismo, muito diferente do caricatural capitalista obeso, cúpido e mastigando charutos. Caído em desgraça, foi preso e agora vive no primeiro andar de sua casa, isolado de todos os outros.
Esta peça é também sobre aquilo a que alguém chamou a «bancarrota emocional». Borkman, tal como Solness de O Construtor Solness (1892) parece um auto-retrato de Ibsen, um homem ambicioso que revela uma frieza de coração. Não é só a culpa e o casamento estagnado, mas o próprio desejo desmedido de grandeza e a instrumentalização de terceiros.
Borkman perdeu a reputação e perdeu a alma. Ao ter abandonado Ella em favor de um casamento de conveniência, cometeu um crime mais grave do que qualquer falcatrua financeira. É por isso comovente quando ele reconheça à própria Ella: «Nem sempre a vida é o que temos de mais precioso».

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