Quem destrói livros

O venezuelano Fernando Báez publicou em 2004 uma excepcional História Universal da Destruição dos Livros, editada em português pela Texto. O ensaio percorre dois milénios e meio de «biblioclasmos», e acentua uma inquietante rima entre eventos ocorridos com séculos de distância: a destruição pelos mongóis das bibliotecas de Bagdade em 1258 e 1393 e o saque da Biblioteca Nacional de Bagdade em 2003, após a invasão americana.
Nenhuma História da espécie humana fica completa sem esse ódio ancestral aos livros. Quem destrói livros destrói a diferença e a memória. Báez sugere que existe uma mitologia da destruição que acompanha os mitos da criação que são o esteio de todas as culturas. Daí que a destruição de livros seja vista como uma espécie de acto de purificação, uma criação invertida. Não é por acaso que tantas vezes se recorre ao fogo, uma descoberta que simboliza a civilização. Quem queima livros sente-se um pequeno deus. (...)
(amanhã, no Público]

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