Política da verdade (6)
A proposição socrática «É preferível sofrer o mal a fazer o mal» não é uma opinião mas pretende ser a verdade, e ainda que se possa duvidar que tenha tido alguma vez uma consequência politica directa, é inegável o seu impacto como preceito ético sobre a conduta prática; só os mandamentos religiosos, absolutamente obrigatórios para a comunidade dos crentes, podem ter pretensões a um tão grande reconhecimento. Não estará este facto em clara contradição com a impotência geralmente admitida da verdade filosófica?
Haverá casos em que alguém prefere sofrer o mal a fazer o mal, porque faz disso uma verdade e não apenas uma opinião. Mas isso só acontece, como refere Arendt, em quando esse princípio filosófico é vivido de uma forma quase religiosa. Não é uma verdade no sentido racional, mas uma verdade num sentido ético absoluto. É um comportamento verdadeiramente religioso, por isso verdadeiramente raro.
Haverá casos em que alguém prefere sofrer o mal a fazer o mal, porque faz disso uma verdade e não apenas uma opinião. Mas isso só acontece, como refere Arendt, em quando esse princípio filosófico é vivido de uma forma quase religiosa. Não é uma verdade no sentido racional, mas uma verdade num sentido ético absoluto. É um comportamento verdadeiramente religioso, por isso verdadeiramente raro.

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