10/22/2009

A rapariga verbal

É claro que me ocorrem muitos adjectivos, alguns quase sensacionistas, mas nela gostei sobretudo dos verbos, da energia, do modo como ela se mexia, apressadamente fazendo uma coisa já a pensar na próxima, as mãos ocupadas, um entusiasmo despreocupado, perdia as coisas, encontrava-as, respondia a mensagens, retocava a maquilhagem, espreitava as placas das ruas, combinava encontros, lançava desafios, encolhia os ombros aos elogios e às reticências, verbos, verbos, um apetite alegre, inquieto mas sensato, ela sempre febril mas nunca menos feminina por isso, verbal e inadjectivável, como um confiante sorriso azul ao cimo de uma escada.