11/01/2009

António Sérgio 1950-2009



O pop/rock salvou-me a vida. É um tumultuoso evangelho que fui decifrando ao longo dos anos através da Rolling Stone, do New Musical Express, da Mojo, da Q, da Uncut, da Paste, da Pitchfork, da PopMatters. E de Lester Bangs, Greil Marcus, Simon Reynolds, João Lisboa. E de António Sérgio. Eu fui e sou um sergiano, como se dizia antigamente dos adeptos do seu homónimo. Sérgio era o homem que de voz gravíssima passava os discos mais espantosos à hora do lobo na Rádio Comercial, depois na XFM e Radar. O John Peel português, que nos trazia tudo o que escapava aos holofotes nas décadas de 1980/1990. Nos meus tempos da faculdade, sobretudo em época de exames, ouvia sempre o programa dele, à noitinha, anotava nomes, entusiasmava-me com uma linha de baixo ou um refrão impiedoso. Gostava da paixão sereníssima daquela voz, daquela selecção irrepreensível, emocionava-me e aprendia. Recentemente encontrava-o às vezes no Snob, ao balcão, e por timidez não lhe agradecia, nunca lhe agradeci, e agora é tarde, ou talvez não seja.