Tigres da Malásia

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Tive, nem sei se ainda terei, algumas aventuras de Sandokan nas edições em papel barato e capa azul escura das Edições Romano Torres. Lembro-me de «Sandokan na Ilha do Bornéu», em que o corsário está atrás de um canhão em pose orgulhosa, de espada estendida. Embora tenha lido muito mais Verne do que Salgari, o imaginário da pirataria, que sempre foi dos meus preferidos, vem do novelista veronês. Sandokan, o príncipe malaio que se torna pirata e luta contra os ingleses e os holandeses, é a sua personagem mais conhecida, e tenho quase a certeza de que também li «Os Tigres de Mompracem» (1900), porque nunca esqueci esse título.
Muitos anos passados, voltei a «Il Corsaro Nero» / «O Corsário Negro» (1898), de que citei no começo um excerto [reed. Via Óptima, 2009]. Emilio Roccanera, Conde de Ventimiglia e Senhor de Valpenta, agora conhecido como Corsário Negro, quer vingar a morte dos seus irmãos, enforcados pelo governador de Maracaíbo. E em duzentas páginas rápidas e poderosas temos furacões, funerais em alto mar, abordagens com o convés pejado de cadáveres, manhãs esplêndidas em águas esmeralda, espadas cintilantes, barris de pólvora, saques que duram dias, tribos canibais, expedições na selva, uma luta feroz entre um jaguar e um jacaré. Reli o livro e revivi por completo o fascínio adolescente, que já tinha sido o fascínio adolescente do meu pai. «Quem manda aqui são os meus irmãos mortos» é a frase terrível que ecoa em O Corsário Negro, onde uma triste maldição paira sobre aquela camaradagem oriental. O tom é viril, desenvolto, sem nenhum didactismo e com um refrescante elogio do rebelde.
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[no Público de amanhã]

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