Uma modesta proposta
O Rui Tavares propõe hoje, em registo satírico, o referendo ao casamento heterossexual. Pela minha parte, há muito que defendo, completamente a sério, uma outra medida: o casamento heterossexual devia estar sujeito a numerus clausus. Casavam umas quantas pessoas por ano, e apenas se superassem uma bateria de provas. Aquilo que se faz hoje com os casais desavindos devia fazer-se, a contrario, com os nubentes: várias reuniões em que se tentava convencê-los a não casar, atirando-lhes com tudo, tédio, flacidez, adultério, saudades da mamã, gostos cinéfilos ao sábado, boletim clínico, dívidas e hipotecas, impotência, peúgas sujas. Isto acompanhado de discursos catastrofistas, gráficos, estatísticas, vídeos, testemunhos. Só depois de o casal estar realmente ciente e determinado é que se dava acesso ao casamento civil. O actual regime de casamento a pedido é iníquo e deve ser revogado. Infelizmente, não vejo coragem política para esta medida de salvação nacional.

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