Francisco Fernando
O namoro acabou por causa do Francisco Fernando. É verdade que o namoro já estava condenado, porque as relações «estáveis» deixam-me instável. Mas não ajudou ter-me posto a ouvir o álbum de estreia dos Franz Ferdinand como se não houvesse amanhã. Isto durante uma semana, uma e outra vez, acabava e recomeçava, com entusiasmo frenético. Biograficamente, podia dizer-se que queria «forjar um entusiasmo», refugiar-me nele, mas o que é que isso interessa? Os arquiduques traziam uma novidade objectiva: inteligência rítmica, verbal e sexual. De quantos músicos podemos dizer que possuem estas virtudes teologais? Os escoceses tinham bebido do fino, o melhor do rock com guitarras angulosas mas elegantes, e acrescentavam ao brilhantismo na escrita um cinismo lânguido, uma lascívia brainy e a lucidez de estar na vida para agradar às mulheres. Ouvi cem vezes Franz Ferdinand de uma assentada. Depois, o namoro acabou, o segundo álbum foi apenas bom e do terceiro nem gosto muito. Mas a testosterona e a adrenalina não se esquecem, sobretudo quando existem numa vida imaginada.

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