Vanina Vanini
Vanina é uma bela princesa romana, 19 anos, cabelo negro, olhos talvez negros também, não há ninguém que não a deseje. Mas ela aborrece-se com os seus emproados pretendentes, não gosta de homens que não conhecem a aventura e que nem sequer lêem romances. Recusa pessoas que não correm riscos. Por isso não liga aos aristocratas que a cortejam e enamora-se de um carbonário fugido às autoridades, Pietro. Ele não é da sua condição social, mas vive no entusiasmo patriótico e ideológico da libertação italiana, então sob domínio austríaco, e arrisca tudo, inclusive a vida.
Durante uns tempos, Pietro sente que tem de se distanciar de Vanina. Ele deseja-a, mas a diferença de classe e o seu estatuto de foragido fazem com que retribua os cuidados dela com uma «amizade nobre e devotada». Vanina sofre com essa amizade ostensiva de um homem que deseja. Finalmente, ambos aceitam os seus impulsos. Mas Pietro tem muitas dúvidas. É um homem devotado a uma causa, à pátria e à liberdade, e a paixão amorosa não pode ser um obstáculo à paixão política. Ele ama Vanina, mas ama mais a Itália.
Quando quer justificar as suas acções, ele diz que a pátria e a liberdade só valem alguma coisa se forem úteis. É um egoísmo fingido, pois Pietro é um verdadeiro patriota. Napoleão dizia que os habitantes de Brescia não amavam a liberdade, mas apenas a hipótese de falarem da liberdade com as suas amantes. Pietro é menos cínico, mais dedicado, porque não tem poder, apenas luta por ele.
Vanina não aceita ter uma rival, ainda que essa rival seja a Itália. Primeiro, manipula Pietro, esconde-o, dorme com ele, financia a «causa». Mas depois escolhe outro caminho: a traição. Vanina trai Pietro para que ele se afaste da política, e fique com ela. Supondo que ele aceitará uma traição na qual não sofra. Mas Pietro, quando descobre, diz que Vanina é um «monstro» e não quer nada com ela. A Itália ganhou.
(«Vanina Vanini», conto de Stendhal, 1829)
Durante uns tempos, Pietro sente que tem de se distanciar de Vanina. Ele deseja-a, mas a diferença de classe e o seu estatuto de foragido fazem com que retribua os cuidados dela com uma «amizade nobre e devotada». Vanina sofre com essa amizade ostensiva de um homem que deseja. Finalmente, ambos aceitam os seus impulsos. Mas Pietro tem muitas dúvidas. É um homem devotado a uma causa, à pátria e à liberdade, e a paixão amorosa não pode ser um obstáculo à paixão política. Ele ama Vanina, mas ama mais a Itália.
Quando quer justificar as suas acções, ele diz que a pátria e a liberdade só valem alguma coisa se forem úteis. É um egoísmo fingido, pois Pietro é um verdadeiro patriota. Napoleão dizia que os habitantes de Brescia não amavam a liberdade, mas apenas a hipótese de falarem da liberdade com as suas amantes. Pietro é menos cínico, mais dedicado, porque não tem poder, apenas luta por ele.
Vanina não aceita ter uma rival, ainda que essa rival seja a Itália. Primeiro, manipula Pietro, esconde-o, dorme com ele, financia a «causa». Mas depois escolhe outro caminho: a traição. Vanina trai Pietro para que ele se afaste da política, e fique com ela. Supondo que ele aceitará uma traição na qual não sofra. Mas Pietro, quando descobre, diz que Vanina é um «monstro» e não quer nada com ela. A Itália ganhou.
(«Vanina Vanini», conto de Stendhal, 1829)

<< Página inicial