Ein Traum, was sonst?

Quando descobre que não vai ser executado, que foi perdoado, que fica com a mulher amada, tudo de repente e sem aviso, o Príncipe de Homburg pergunta se aquilo é um sonho. O coronel diz: «Ein Traum, was sonst?».
«Um sonho, claro, que mais podia ser?»
O Príncipe podia ter perguntado se a condenação à morte tinha sido um sonho, de que agora despertava, mas pergunta antes se aquele desfecho feliz é um sonho, como se fosse demasiado bom para ser verdade.
E portanto é terrível a resposta do coronel: ele diz que a realidade é um sonho, que não podia ser senão um sonho. Não acordaste de um pesadelo, Príncipe de Homburgo, para viveres feliz para sempre, acordaste da realidade para este sonho feliz, não te fies que seja outra coisa que não isso, um sonho. Que mais podia ser?
[O Príncipe de Homburgo, de Kleist, tradução de Luísa Costa Gomes, Ática]

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