6/19/2010

Sob escuta

As escutas estão em debate. Juridicamente, tenho um entendimento minimalista do uso de escutas judiciais, mas confesso que nesta altura do campeonato já estou mesmo preocupado é com escutas extra-judiciais. Eu sabia que existiam, mas nunca tinha dado com elas. Até que descobri que alguém andava a ouvir as minhas conversas telefónicas. A princípio nem acreditei nessa hipótese, que achei rebuscada, patusca, implausível. Mas depois vieram os barulhinhos esquisitos e a circulação de informações confidenciais. O espanto deu lugar ao choque. E ainda por cima percebi que a invasão da privacidade è às vezes considerada uma extensão desculpável da «vontade de saber». E lembrei-me que já sabia isto, que isto vem no The Conversation de Coppola: as escutas revelam conversas, mas o uso de escutas revela a natureza humana.