Oci ciornie

Não via televisão há muito tempo. A programação continua péssima, mas há uma nova geração de pivots a ter em atenção.
A TVI, por exemplo, joga forte, com os olhos faiscantes e o sarcasmo campestre de Ana Guedes Rodrigues ou o ar estranhamente neutral de miúda mais gira da turma de Rita Rodrigues.
O meu canal favorito é a SIC-Notícias, noite dentro, e aí um cidadão tem Marisa Caetano Antunes, segura e imponente, Rita Neves, com jeito de estagiária zelosa, e Liliana Carvalho, que sorri até ao knock-out.
Mas eu gosto mesmo é das notícias lidas por Ana Patrícia Carvalho. Não é uma Joana Gomes Cardoso, mas milagres não há todas as décadas. Ana Patrícia Carvalho tem que enfrentar com frequência o boicote da equipa de caracterização da SIC, que lhe faz penteados estapafúrdios e a mete em vestidos fracassados, mas em compensação está sempre bem maquilhada, as feições escuras nítidas em um rosto claro e afilado.
Ana Patrícia Carvalho tem oci ciornie muito sérios, pequenos mas fundos, tanto distantes como abandonados. A boca dela faz um jeitinho do lado direito, o lábio levanta um pouco, sem que isso passe por esgar de troça ou momice de sedução. E depois, Patrícia tem uma voz menineira, frágil, às vezes quase partindo-se, como se falasse a contragosto. Nunca sorri, excepto muito levemente, no fim das notícias, quando diz que volta à hora certa.

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