Sobre o lixo
(...) Se o jornal tem um conjunto de padrões de qualidade, não deve permitir que nenhum dos espaços subordinados ao seu título se situe abaixo desses padrões. Por muito importante que seja a participação, se é grosseira e de baixo nível, em nada serve os leitores ou o jornal. Até agora quase todos os jornais optaram pela abertura, porque aumenta o tráfego. Mas chegou a hora de escolher, também na participação, entre a qualidade e o tráfego. Um controlo mais apertado dos comentários fará baixar a participação num primeiro momento, mas aumentará a qualidade e, a prazo, interessará mais aos leitores. (…) / É bem possível que a lógica economicista que tem presidido ao laxismo editorial disfarçado de abertura total à "interactividade" (mais comentários representam mais acessos, logo maior atracção de receitas publicitárias) venha a revelar-se contraproducente. O crescimento do lixo tende a afastar leitores fiéis, enquanto a qualificação do debate na edição em linha, elevando o seu prestígio, poderia atrair novos leitores e torná-la mais interessante como veículo publicitário. Ainda que assim não seja, há alturas em que é preciso escolher entre audiência e qualidade.
[da crónica do Provedor dos Leitores do Público, José Queirós, 26/09/10]
[da crónica do Provedor dos Leitores do Público, José Queirós, 26/09/10]

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