10/30/2010

Descer de um comboio

Reencontro um poema de Hardy, aquele poema de Hardy: ele vai de comboio, passa por uma igreja às nove, junto ao mar às dez, por uma cidade viscosa às doze, às duas por um bosque de carvalhos e bétulas. «And then, on a platform, she: // A radiant stranger, who saw not me. / I queried, "Get out to her do I dare?" /But I kept my seat in my search for a plea». O comboio arranca de novo, a estação desaparece lá atrás, e ele castiga-se por não ter descido.

Ao longo dos anos fui lendo este poema com desânimo, angústia ou resignação, mas hoje, que é se passa comigo, pensei apenas que não é assim tão difícil descer de um comboio.

[Thomas Hardy, «Faintheart in a Railway Train»]