10/13/2010

Egipto

Quando falamos, de vez em quando, muito de vez em quando, contamos as novidades, ou nem isso, a minha desesperança, o teu desencanto, e já não há mais tempo, estás cansada, estou apressado, é uma amizade residual, pouco mais, julgo que nem entenderias se eu te dissesse que foste a pessoa depois da qual, que depois de ti, que nunca mentias, decidi que a mentira não tem perdão, que quem mente merece todos os castigos, águas em sangue, rãs, piolhos, moscas, animais doentes, sarna com úlceras, saraivadas de fogo, gafanhotos, trevas e a morte dos primogénitos. E tu saberias reconhecer que isso é apenas justiça, saberias dizer sem rancor que isso «vem na Bíblia».