12/20/2010

2010: alguns (poucos) filmes













Não vi o Wiseman nem o Ruiz, mas nem com esses conseguia encontrar dez grandes filmes em 2010. Em compensação, houve obras medianas ou pouco mais que me tocaram por motivos éticos (Um Homem Sério, o norueguês Águas Agitadas) ou etários (Greenberg, algumas coisas de A Rede Social). E tivemos um regresso apreciável (Polanski), um Ozon inteligente, uma bela «instalação» de Kiarostami com uns excessivos noventa minutos, um João Botelho sem farsa, e o inevitável filme humanista e simpático (Whisky). Mas nada que encha as medidas, como dois grandes filmes de 2009 que só vi em 2010: O Profeta e O Laço Branco.

Por isso tenho apenas quatro «filmes do ano». Ruínas, de Manuel Mozos, notável retrato de Portugal como destroço assombrado; Lola, de Brillante Mendonza, cinema à chuva com gente verdadeira; Canino, uma espécie de Haneke grego; e 24 City, de Jia Zhang-ke, a China entre o passado e o futuro, e um exercício que leva muito longe a indistinção entre documentário e ficção, com efeitos inquietantes e comoventes.

Ah, e nenhum filme em 2010 foi tão bom como Whatever Works, mas metam-se na vossa vida.