A acção e a reacção

Oliver Platt na cama com Amanda Peet. Platt é grande, feio, gordo, cara rotunda e amarfanhada, nariz abatatado, boca de tolinho, cabelinho à foda-se. Peet é magrinha, bem feita, insinuante, covinhas numas maçãs do rosto alevantadas e olhos azuis pálidos que apartam oceanos bíblicos.
A intenção da cena é essencialmente moralista, mas o efeito é irrealista. Um desnível estético assim talvez aconteça ocasionalmente na «vida real», mas no cinema essa plausibilidade parece implausível, soa a falso. E a sala reage. Alguns espectadores, humanistas, acham a cena cómica. Outros, quase todos homens, acham repugnante. E o que é verdade ali não é a cena mas a reacção.

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