A troca
Hollywood adaptou «Baster», o conto de Jeffrey Eugenides sobre uma inseminação que corre mal. O próprio romancista resumiu o resultado dizendo que transformaram Darwin em Disney.
Eugenides estava interessado na falta de equivalência entre beleza e inteligência, e nas patéticas angústias que daí nascem. E denunciava o irremediável horror biologista em que vivemos, que a técnica apenas desoculta e facilita.
Por isso, a inseminação artificial trocada é em «Baster» deliberada; mas em The Switch é um acidente, em contexto cómico. Em «Baster» é o homem feio que impõe dolosamente o seu material genético à mulher que quer engravidar, mas em The Switch o homem é fisicamente normal e a troca de esperma quase desculpável.
Em vez de documentar a estratificação física da sociedade e a crueldade da nossa condição animal, Hollywood opta pela fantasia. Troca Darwin por Disney. Entretém.
Eugenides estava interessado na falta de equivalência entre beleza e inteligência, e nas patéticas angústias que daí nascem. E denunciava o irremediável horror biologista em que vivemos, que a técnica apenas desoculta e facilita.
Por isso, a inseminação artificial trocada é em «Baster» deliberada; mas em The Switch é um acidente, em contexto cómico. Em «Baster» é o homem feio que impõe dolosamente o seu material genético à mulher que quer engravidar, mas em The Switch o homem é fisicamente normal e a troca de esperma quase desculpável.
Em vez de documentar a estratificação física da sociedade e a crueldade da nossa condição animal, Hollywood opta pela fantasia. Troca Darwin por Disney. Entretém.

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