4/30/2010

Sem título, 2010

Suave e digna compostura

Assim, por amor de Deus, tem cuidado e não forces o coração dentro do peito, com violência ou desmesuradamente. Prefere a perícia à força bruta, pois a tua prática será tanto mais humilde e espiritual quanto mais a realizares com fervor, e será tanto mais corpórea e animal quanto mais recorreres à violência. (…) Por conseguinte, evita com cuidado uma tal violência animalesca, e aprende a amar fervorosamente, com suave e digna compostura, tanto do corpo como da alma.

[A Nuvem do Não-Saber, autor anónimo do séc. XIV, ed. port. Assírio & Alvim]

4/29/2010

Estreia esta noite

O peso e a leveza

The Real Thing está a meio caminho entre a leveza de Private Lives (Coward, 1930) e o peso de Betrayal (Pinter, 1978). Tem uma ligeireza dolorosa. Acho que está tudo dito.

Uma forma de ficção

O que é que o dramaturgo faz para transformar uma boa história, baseada ou não em acontecimentos reais, numa obra de arte duradoura?

Hmm. Não liguem ao que eu vou dizer, porque não faço a mais pequena ideia, mas acho que tem a ver com o controlo da informação do palco para o público. A arte está toda em dizer aos espectadores isto e não mais que isto, neste momento e não naquele, por esta ordem e não numa ordem diferente. É isso que acontece. O público está ali sentado, com os olhos abertos e os ouvidos atentos, e nós estamos a mostrar e a contar coisas. E quer eles estejam divertidos ou aborrecidos ou fascinados, isso tem a ver, é claro, com a qualidade da representação, com a variedade visual, mas no caso do teatro em que eu trabalho, que é, suponho, o teatro de texto transformado em acontecimento, nesse tipo de teatro o que o dramaturgo faz é ir libertando informação. No princípio do espectáculo ele tem, digamos, uma grande bexiga de informação, e no fim do espectáculo o público ficou com o conteúdo dessa… Hmmm. Isto pode, hmm, tornar-se num assunto um bocado desagradável. Portanto, hmm, não vamos dizer bexiga, ele tem um saco às costas que vai esvaziando. Eu adoro estas conversas, adoro teorizar sobre a escrita teatral, e gosto tanto disto porque é uma forma de ficção, não tem qualquer realidade ou verdade.

[de uma entrevista a Tom Stoppard, usada numa cena do espectáculo]

Bálsamo



Li The Real Thing pela primeira vez numa fase violenta da minha vida, e pareceu-me um texto brando, ainda demasiado clever, demasiado boulevard intelectual. Achei que a peça abordava uma dificuldade em acto, ou seja, falava sobre a dificuldade de escrever sobre o amor provando essa dificuldade. Agora conheço muito melhor o texto, as suas forças e fraquezas, depois de o ter relido dezenas de vezes, de ter lido o mais que pude acerca dele, de o ter traduzido e adaptado e revisto, de o ter repetido durante dois meses com os actores. No essencial, continuo a achar que é uma peça branda, tímida, boulevard intelectual. Mas agora admiro mais a coragem do escritor, que foi contra a sua natureza ou o seu feitio. A tragicomédia funciona porque é indecisa e emocionalmente desajeitada. O texto podia ser demasiado fácil, mas nunca é fácil porque o tema é difícil, difícil para o autor, e por isso cada ferida precisa logo do bálsamo de uma gargalhada.

4/28/2010

Agora a sério


















O teatro de Tom Stoppard sempre tinha sido frio, erudito, cerebral, surreal. Uma mistura de wit inglês com absurdismo eslavo. A meio dos quarenta, porém, o dramaturgo decidiu que era tempo de escrever sobre si mesmo, por mais que o decoro o inibisse.

The Real Thing / Agora a Sério é nitidamente uma peça pessoal, e para os padrões de Stoppard equivale a uma espécie de nudez em público. Mesmo a aproximação realista de Night and Day (1978) não fazia antever um tal mergulho biográfico. Cansado de ser autor de «clever plays», de ser isso e apenas isso, Stoppard criou enfim uma personagem que é um alter-ego assumido.

Verdade seja dita, o ponto de partida desta peça é bastante técnico e mental: jogos pirandellianos de realidade e ficção, teatro dentro do teatro, cenas que se repetem e se espelham. Mas o motivo é naturalista por excelência, convencional mesmo: o adultério burguês. Agora a Sério, no seu enredo e nos seus artifícios, é boulevard. Boulevard de luxo, sem dúvida, mas marcadamente distante das farsas elitistas dos anos 1970.

Henry, o dramaturgo dividido entre duas actrizes, é confrontado com a perda das suas certezas, do seu ascendente, e com a insuficiência da sua retórica e do seu sarcasmo. Ele, que como autor teatral é naturalmente um ficcionista, tem que decidir agora o que é real, ou antes, o que é autêntico. A autenticidade, ainda mais do que a realidade, é uma questão central em Agora a Sério. Quando é que podemos dizer que «agora é a sério»?

Tudo aqui é posto em causa: a política, a literatura, o amor. Agora a Sério não abdica do registo stoppardiano de comédia de ideias com destreza verbal. E continuam brilhantes as suas dissecações da fidelidade, do activismo, da linguagem. Mas o tom é mais intimista, mais magoado. Stoppard joga com todas as acusações que lhe tinham sido feitas, e põe-se em causa, embora reitere a sua fé inabalável nas palavras.

A peça é claramente uma comédia porque tem diálogos inteligentes e rápidos, alusões e paródias letradas, um timing humorístico, situações caricatas. Mas é também um exercício sobre «o auto-conhecimento através do sofrimento», por mais que essa frase seja dita ironicamente. Se a diferença entre as peças e a vida real é «tempo para pensar», Agora a Sério dá a Henry algum tempo para questionar o seu elitismo cultural, a sua distância emocional, o seu absentismo social. A peça está carregada de rimas internas, e também de rimas com a vida de Stoppard, incluindo a sua vida conjugal. Basta dizer que Stoppard dedicou o texto à mulher com quem era casado em 1982, e que mais tarde viveu com a actriz que em 1982 representou Annie, a actriz por quem Henry se apaixona.

Há duas convicções profundas em Agora a Sério: as palavras devem ser usadas com propriedade e as posições públicas resultam de motivações privadas. Mas há também várias dúvidas, dúvidas autênticas. Não é uma peça perfeita, mas é uma peça corajosa, mesma na sua aparente incapacidade de «escrever sobre o amor». A comédia ficou mais credível que a tragédia, porque tudo parece demasiado contido ou engraçado, mas para Stoppard o grau de exposição foi enorme. Ele saiu da sua zona de conforto, e não repetiu a experiência. Depois de escrever esta a que chamou «the love play», declarou: «You’ve done that. You can’t do it again». A peça seguinte, believe it or not, foi sobre espionagem e física quântica.


[posfácio à edição em livro da peça de Tom Stoppard, edição Tinta-da-China]

Ensaio geral



You can still find a job,
go out and talk to a friend.
On the back of every magazine
there are those coupons you can send.
Why don't you join the Rosicrucians,
they will give you back your hope,
you can find your love with diagrams
on a plain brown envelope.


[Cohen, «Dress Rehearsal Rag»]

4/27/2010

Jamais

Jamais, jamais, nous ne nous lasserons d'offenser les imbéciles.

[Georges Bernanos]

4/26/2010

Um objecto

Em quase todas as sociedades ocidentais, dois terços ou mais das pessoas dizem que são «felizes». Eis a felicidade como «estado de espírito declarado», isto é, como auto-ilusão. Quando uma pessoa anuncia que é «feliz», há um contentamento narcísico nesse anúncio, mesmo que o facto seja manifestamente falso. Conheço gente com vidas miseráveis que repete bem alto que é «feliz». E também conheço, em muitos casos, a medicação que eles e elas tomam para que a sua «felicidade» brilhe. As pessoas que se dizem «felizes» estão interessadas em obter o estatuto de «felizes», em serem reconhecidas pelos outros como pessoas felizes, mesmo que isso seja um logro. Dizem que são felizes como alguém diz que comprou um objecto que está à venda. Esperam que esse objecto as torne mais completas.

4/25/2010

Que mão



Weeping into dead leaves
With wing torn and jutting bone

What hand bent it to bust
To be useless

O colectivo em 2010

Tinha tido choques com pessoas, e um ou outro choque com as «instituições». Mas só muito tarde, depois dos trinta, choquei com o «colectivo». Confesso a minha ingenuidade: não estava preparado para aquele grau de violência. Acção em matilha, radicalismo verbal, veto, omissão, conspiração e boataria infame.

Eu sempre detestei o colectivo, mas era uma oposição sobretudo ideológica, baseada em testemunhos de terceiros. Depois percebi à minha custa. Percebi os mecanismos do colectivo, ferozes e frenéticos. E percebi o seu motivo, que é sempre o desejo de poder.

De facto, nos primeiros anos deste século fui conhecendo a «turminha do poder», gente da minha idade e da minha geração que alimenta uma única ambição: chegar ao poder. Aos vários poderes. Qualquer atitude que perturbe a sua caminhada de ascensão social e hegemonia ética não é tolerada. Quando eles me atacavam, não era a mim que atacavam, eu nem existo nas contas deles, estavam apenas a afastar todos os empecilhos, ainda que frágeis, à sua coreografia de cooptações e fodas, de compadrios e futilidades, de opiniões trêndi e coscuvilhices.

Um deles, fã de hipocrisias escancaradas, ainda me pergunta «quando é que apareces». Ah, digo eu, mas eu não apareço, não torno a aparecer, desapareci. E sorrimos ambos, satisfeitos com a resposta.

4/21/2010

Os meios mais violentos

Outro dia li que a função da mentira é «substituir meios mais violentos». A ideia de que a mentira tem uma «função», e logo uma função positiva, é um bocado repugnante. É como dizer que os genocídios regulam a demografia. Mas além disso, não percebo o que seja um «meio mais violento». A violência física, por exemplo, é uma agressão, tal como a mentira, mas pelo menos opera dentro da realidade. A mentira distorce a realidade. Não conheço nada mais violento do que distorcer a realidade.

A ética em 2010

Em matéria sexual, tudo depende da vontade ou da falta dela. Quando não há vontade, são inúteis as ilusões românticas. Em matéria social, tudo depende da boa ou má vontade. Quando há má-vontade, são inúteis as ilusões humanistas.

4/19/2010

Quem dera


















Conheço a tua conduta: não és frio nem quente. Quem dera que fosses frio ou quente! Porque és morno, nem frio nem quente, vomito-te da minha boca.

[Apocalipse, 3: 15-16]

Os mornos

Léautaud escreveu que o afecto é o amor dos mornos. E a Bíblia diz que Deus vomita os mornos.

Baldios

Já conheci mulheres que acreditam na ingenuidade, poucas, hoje a maioria das mulheres acredita na hipocrisia, e as mais inteligentes acreditam apenas no cinismo. Há também mulheres que acreditam em algo intermédio, a sinceridade, mas fazem da sinceridade um baldio para despejos.

Desinfectante

O casamento é um desinfectante do amor, escreveu Baudelaire. Por isso é que os meus amigos casados falam do amor de forma tão neutra, tão asséptica, tão desinfectada.

4/17/2010

Adágio

Belo adágio céptico numa canção de Cat Power: «forfeit the shape to fit».

O que é do mar se os rios se recusam?


















«O que é do mar se os rios se recusam?». Reencontro esta frase espantosa, que não lia há anos, embora tenha todas as edições portuguesas (cinco) de A Nossa Necessidade de Consolo é Impossível de Satisfazer (Antígona) É um brevíssimo texto póstumo de Stig Dagerman, escritor sueco que se suicidou em 1954. Lembro-me bem de ter comprado a primeira edição, em 1995, tinha eu 22 anos, era então um romântico radical. Dagerman fazia as duas perguntas essenciais: o que podemos exigir da vida e qual é a libertação em caso de fracasso. As questões importantes aos 22: a felicidade e o suicídio. Escrito em estado de depressão, o texto é porém bem menos depressivo do que eu recordava, ainda indeciso se a noite é uma treva entre dois dias ou se o dia é uma treva entre duas noites. A ideia que consola é o suicídio, a ideia do suicídio, essa opção. Creio que o texto é escrito naquela fase optimista da depressão, em que imaginamos que o suicídio consola. Dagerman tem porém consciência de que o consolo é pouco: «O que procuro para a vida não é uma desculpa, mas exactamente o seu contrário: é o perdão que busco. Descubro, afinal, que se não levar em conta a minha liberdade, todo o consolo é enganador, mera imagem reflectida do desespero». A liberdade é um consolo, mas só o perdão liberta. Creio que ainda não sabia isso, aos 22.

4/15/2010

Pinheiro de Azevedo, ou como lidar com sequestros



Estou farto de brincadeiras. Ok? De brincadeiras, hein? Fui sequestrado já duas vezes. Já chega, não gosto de ser sequestrado, é uma coisa que me chateia (…) Ontem à tarde? Não, não me recordo assim nada que me irritasse especialmente. (…) E daí, talvez. (…) E eu agora, é pá, vou almoçar.

4/14/2010

Ode à melancolia

Keats diz que devemos fugir à melancolia, e usa várias imagens vegetais e animais para descrever os seus perigos. Mas se a melancolia chegar inesperadamente, escreve, «então, deixa que se tranquilize a tua dor sobre uma rosa matinal, / sobre o arco-íris que surge junto às vagas e à areia salgada / ou sobre o esplendor esférico das peónias». Ao contrário da depressão, que vem sempre por mal, a melancolia vem muitas vezes por bem. Altera a nossa sensação, a nossa percepção e a nossa determinação. Sem a melancolia ninguém nos avisava.

[excerto de «Ode à Melancolia» na tradução de Fernando Guimarães]

Agora a sério


















Agora a Sério, o espectáculo, estreia dia 29 no Teatro Aberto
Agora a Sério, o livro, chega esta semana às livrarias

Esqueci-me da terceira

I learned three things in Zurich during the war. I wrote them down. Firstly, you’re either a revolutionary or you’re not, and if you’re not you might be an artist as anything else. Secondly, if you can’t be an artist, you might as well be a revolutionary. I forget the third thing.

[a última fala de Travesties, 1974, de Tom Stoppard]

Incomunicação

O meu desentendimento com o mundo é também um desentendimento linguístico. Tenho uma relação obsessiva com as palavras. As palavras não são apenas um «meio de comunicação», não podem ser atiradas e retiradas, não devem ser usadas de modo leviano, não se esfumam depois de serem ditas, não se equivalem umas às outras, têm o seu peso, ficam marcadas como cicatrizes. Deve haver pouca gente com tão fraca memória como eu, mas em contrapartida lembro-me exactamente de todas as palavras importantes que me foram ditas, das pessoas que foram importantes para mim. É possível dizer que no meu cérebro cada pessoa existe ligada a determinadas palavras, palavras quem me escreveu ou disse, e já percebi que o tempo não altera isso. Não aceito certas palavras, o uso irresponsável de certas palavras, boas ou más, nem esqueço quem o disse, e quando e porquê. Afasto-me das pessoas por causa das palavras, as palavras tornam-se um meio de «incomunicação», mas disso não me arrependo. Não me arrependo daquilo em que acredito.

4/10/2010

Never found our way

Oh, can't anybody see
We've got a war to fight
Never found our way
Regardless of what they say.

How can it feel this wrong,
From this moment
How can it feel this wrong.


4/08/2010

Anatomia freudiana

O avô dizia que a anatomia é o destino. O neto diz que o destino é a decomposição; a anatomia é apenas uma antevisão.


















[Lucian Freud, «Naked Man, Back View», 1991–92]

Vanina Vanini

Vanina é uma bela princesa romana, 19 anos, cabelo negro, olhos talvez negros também, não há ninguém que não a deseje. Mas ela aborrece-se com os seus emproados pretendentes, não gosta de homens que não conhecem a aventura e que nem sequer lêem romances. Recusa pessoas que não correm riscos. Por isso não liga aos aristocratas que a cortejam e enamora-se de um carbonário fugido às autoridades, Pietro. Ele não é da sua condição social, mas vive no entusiasmo patriótico e ideológico da libertação italiana, então sob domínio austríaco, e arrisca tudo, inclusive a vida.

Durante uns tempos, Pietro sente que tem de se distanciar de Vanina. Ele deseja-a, mas a diferença de classe e o seu estatuto de foragido fazem com que retribua os cuidados dela com uma «amizade nobre e devotada». Vanina sofre com essa amizade ostensiva de um homem que deseja. Finalmente, ambos aceitam os seus impulsos. Mas Pietro tem muitas dúvidas. É um homem devotado a uma causa, à pátria e à liberdade, e a paixão amorosa não pode ser um obstáculo à paixão política. Ele ama Vanina, mas ama mais a Itália.

Quando quer justificar as suas acções, ele diz que a pátria e a liberdade só valem alguma coisa se forem úteis. É um egoísmo fingido, pois Pietro é um verdadeiro patriota. Napoleão dizia que os habitantes de Brescia não amavam a liberdade, mas apenas a hipótese de falarem da liberdade com as suas amantes. Pietro é menos cínico, mais dedicado, porque não tem poder, apenas luta por ele.

Vanina não aceita ter uma rival, ainda que essa rival seja a Itália. Primeiro, manipula Pietro, esconde-o, dorme com ele, financia a «causa». Mas depois escolhe outro caminho: a traição. Vanina trai Pietro para que ele se afaste da política, e fique com ela. Supondo que ele aceitará uma traição na qual não sofra. Mas Pietro, quando descobre, diz que Vanina é um «monstro» e não quer nada com ela. A Itália ganhou.

(«Vanina Vanini», conto de Stendhal, 1829)

4/07/2010













Agora a Sério, ensaios

4/06/2010

Das Kapital

Dados empíricos mostram que as pessoas bem-parecidas podem ganhar mais 10 ou 15% ao fim do mês do que o grupo de homens e mulheres de aparência média. E estes, por sua vez, também ganham mais do que os menos bafejados por Adónis e Afrodite.

Há, como assinala a socióloga britânica da London School of Economics (LSE), Cathrine Hakim, uma recompensa económica da beleza na sociedade. É o chamado capital erótico, o termo sociológico que representa o quarto activo pessoal mais valioso - e ao qual se juntam os outros capitais: o económico, o cultural e o social.


(jornal i)

Quanto todos formos culpados

Quand nous serons tous coupables, ce sera la démocracie.

(Albert Camus)

With your triumphs and your charms while they're in each other's arms

4/04/2010

In the midst of life we are in debt etc

A título individual

Quando ela se livrou de mim, escreveu que gostava de «homens a sério». E, ao contrário do que é seu costume, dessa vez não falou a título individual.

O que parece

Curioso o percurso intelectual que me levou até aqui, até à menos intelectual das conclusões: aquilo que parece, é. Posso pegar na minha vida, na minha vida toda, à data de 2010, e garantir: o que parece, é. Talvez não seja um ponto de chegada glorioso; mas ao menos é um ponto de chegada.

Em última análise

Any amount of admiration and respect for women is great and fine, but ultimately it is not of much use to the woman unless the man's prepared to fuck them as well.

Anthony Neilson, dramaturgo inglês, defendendo uma das suas peças (sublinhado meu)

4/02/2010

Auto-avaliação

Sou um bom bloguista, um cronista interessante, um crítico competente e um poeta razoável. Excepto quando sou, e sou muitas vezes, um bloguista previsível, um cronista banal, um crítico entediante e um poeta medíocre. À consideração superior. O funcionário, Pedro Mexia

I doused our friendly venture with a hard-face three-word gesture



The lanes were silent
There was nothing, no one, nothing around for miles
I doused our friendly venture
With a hard-faced
Three-word gesture

I started something
I forced you to a zone
And you were clearly
Never meant to go
Hair brushed and parted
Typical me, typical me
Typical me
I started something
And now I'm not too sure (...)

Agora a sério


















(em breve nas livrarias)

Germe

He incubated the germ of a colossal activity for which there is no demand.
(Herzen, sobre Bakunine, citado por Tom Stoppard)

O que é que a posteridade fez por mim?

Nenhuma ilusão: não trabalho para a «posteridade». Como dizia já nem sei quem: o que é que a posteridade fez por mim?

Missing in action

Ando desaparecido, mas ao menos desta vez estou «desaparecido em acção».

4/01/2010

Onde é que tens andado?