«Escolha», segundo os dicionários, é um processo mental que envolve o juízo acerca dos méritos de múltiplas opções e a consequente selecção de uma delas.
Acho toda essa definição questionável.
O processo é «mental» mas também pode ser geneticamente condicionado; «mental» sugere uma liberdade que nem sempre existe.
O «juízo» pode ser de facto um juízo, mas pode ser uma pura impressão, sensação, preconceito. Grande parte das nossas escolhas faz-se com base em informação defeituosa.
Esses juízos podem ser de «mérito», mas muitas vezes são também de conveniência, de oportunidade, têm motivos fúteis ou conjunturais, e aliás respeitáveis.
Nem sempre há «múltiplas» opções, às vezes há opções iguaizinhas, a que damos nomes diferentes ficcionarmos um leque de escolhas.
Só há uma coisa que é verdade: a escolha é uma selecção. Pode ser uma selecção provisória, hesitante, incompleta, mas uma escolha é uma opção. Mais do que um resultado, quem decide anuncia uma
intenção. Quando a escolha está feita, acabou o «processo mental». A comédia acabou.