Gérard Castello-Lopes 1925-2011

A fotografia dos rapazes na rua a jogar futebol, em que os gestos deles quase eclipsam a bola, que mal se vê, é a minha favorita de entre aquelas que Gérard Castello-Lopes tirou em Lisboa, na segunda metade dos anos 1950. Este «instante decisivo», como os de Cartier-Bresson, que Gérard emulava, revela toda uma época: naturalismo no retrato social, insólito surreal, e uma sugestão existencialista. Julgo que é a bola pouco visível que torna esta composição memorável, tão precisa e poética ao mesmo tempo. Talvez por isso tenham chamado a Gérard o Alexandre O’Neill da fotografia.

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