2/17/2011

Deprimismo

Nunca li os romances e os volumes de autobiografia de François Nourissier, mas conhecia-o há muitos anos da imprensa, escreveu mais de três mil artigos em publicações como o Figaro Magazine, que os meus pais compravam nos anos 1980 e onde o li.

Leio agora os obituários. É-me indiferente, ou mesmo antipática, a faceta de mandarim, os prémios, as cliques, as academias, o «meio» em que ele se movia como ninguém. Em compensação, gosto muito daquele confessionalismo pessimista, auto-depreciativo, decepcionado, a que têm chamado «deprimisme». Ao que parece, isso incomodava muita gente.

«Je ne m’aime pas, je n’aime pas ma vie», disse Nourissier, talvez não cheguem esses «maus sentimentos» para escrever boa literatura, talvez nem seja um começo, mas para mim é um bom começo.