Smoking / No Smoking
Estávamos em casa dela a ver o Smoking / No Smoking do Resnais; eu, em estado de beatitude (que ela achava pacóvio), ria francamente com os incidentes da fita, que já tinha visto, enquanto ela não ia além do sorriso, e só em situações especialmente engenhosas. Foi como se, ao contrário do que é meu hábito, eu tomasse aquelas situações morais como meros acasos e peripécias, e visse disso o lado lúdico. E foi como se, contrariando o seu feitio, ela visse os acasos e peripécias como escolhas morais, e percebesse a seriedade do que estava em causa. Depois, a seguir ao STOP, eu voltei à gravidade do costume, ela desvalorizou como triviais as suas decisões, nunca na vida estive tão iludido como quando víamos Smoking / No Smoking no sofá dela, ela prudente e reticente, eu na minha estúpida felicidade.

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