James ego Agate
The Selective Ego é uma antologia dos diários de James Agate (1877-1947). Agate foi o crítico de teatro mais influente da Inglaterra nas décadas entre Shaw e Tynan. Muitas das páginas do diário são aliás dedicadas ao teatro, ou antes, aos actores. Agate era sobretudo um perspicaz crítico de espectáculos, e de interpretações, incluindo os Oliviers e os Gielguds. O livro tem aquele tom típico de um misantropo sociável, culto mas anti-intelectual, exímio em frases certeiras, cheias de graça e gramática. O tema é quase sempre o «meio», entre snobismos e coscuvilhices, elogios e azedumes. E com uma boa dose de hipocondria e de lamúrias financeiras. Lê-se bem, mas o lado social cansa, até porque muitas das figuras citadas são-nos hoje desconhecidas. E também é um pouco fastidiosa aquela escrita sempre ao serviço da «personagem» Agate, o brilhante caturra, papel que James, diga-se, representa com brio.
Alguns exemplos. Agate diz que numa relação amorosa deve haver pelo menos uma pessoa jovem, pois o amor entre dois velhos é «disgusting». Considera que não existe «crítica construtiva», pois não se pode construir um edifício já acabado. Confessa que que não teme processos judiciais, pois as pessoas sobre quem escreve no diário estão «mortas ou moribundas». Conta que envia as suas críticas a um médico em troca de amostras de medicamentos. Comenta que fulano de tal «se retirou da vida privada». E recusa convites, recusa todo o tipo de convites, até inventa um formulário exaustivo para recusar convites. É, nisso, muito inglês, conquista a nossa simpatia exibindo a sua antipatia. Faz do seu ego um jogo, e cobra bilhetes.

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