3/26/2011

Um ridículo russo

Uma noite foram ao teatro, ver a peça favorita dele, mas antes disso, ela, ao telefone, usou aquela linguagem agressiva que confundia com sedução, e ele ficou um pouco combalido, não disse quase nada antes do espectáculo começar, assistiram tensos às discussões entre Ranevskaya e Lopakhin e ela então disse-lhe ao ouvido que se ia embora, oportunidade gratuita de acabar de vez com esse cerejal venenoso e iludido, no entanto ele era um Trofimov ainda mais patético, pediu por isso que ela ficasse, pediu desculpa, e ela, incorrigível actriz, ficou mais um bocadinho, até que se cansou do seu ridículo pretendente russo.