Sidney Lumet 1924-2011
Cineasta abundante, o meu Lumet favorito é o Lumet tardio: Fuga sem Fim (1988), fabuloso ensaio sobre o combate entre a revolução política e a conservação familiar, e Antes que o Diabo Saiba que Morreste (2007), um epílogo desencantado sobre a nossa espécie animal, lasciva e venal. Esses dois filmes crepusculares vão mais longe do que os famosos «docudramas» de Lumet sobre a justiça, perfeitamente carpinteirados e coerentes, mas algo rasos, pouco complexos, insuficientemente ferozes. Isso viria depois. A idade não «pacificou» Lumet, como se diz que faz, trouxe pelo contrário uma nova inquietação, cheia de zonas de sombra. Por isso o cineasta terminou, octogenário, com uma tragédia brutal, uma história tão trágica e tão brutal que não nos deixa tempo nem liberdade para julgar ninguém.

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