4/14/2011

A moral e as maneiras

Li In a Forest, Dark and Deep (2011) e não me pareceu memorável, talvez porque não fosse especialmente «dark» nem «deep». Mas em palco, com bons actores, ganha bastante. Ao contrário de uma peça, digamos, geminada a esta, In a Dark Dark House (2007), o clima aqui não é opressivo, são apenas dois irmãos aos gritos, um proletário machista e uma intelectual angustiada.

Na versão agora em cena no West End londrino, dirigida pelo próprio LaBute, Matthew Fox traz uma ferocidade genuína ao papel, fazendo do irmão um «cowboy puritano». E a inteligente Olivia Williams compõe uma mentirosa compulsiva mas sedutora. Ele prefere a «moral» às «maneiras». Ela prefere as «maneiras». Ele odeia a mentira, toda a mentira, e por causa disso porta-se como um bruto, sem medir a violência das suas palavras. Ela precisa da mentira para guardar segredos destrutivos, para criar ilusões suportáveis, para viver com uma imagem decente de si mesma.

O texto nunca ultrapassa a mediania, mas é um prazer ver Williams e Fox, sob a direcção segura de LaBute, à volta com os seus segredos e mentiras, com as suas revelações previsíveis e as provocações moralistas, lançados ao pescoço um do outro, por bem ou por mal, pelas educadas mentiras ou pelas intoleráveis verdades.