5/24/2011

Canções de protesto

As mais canónicas «canções de protesto» de Dylan correspondem a uma fase inicial da sua carreira, a fase Woody Guthrie, na qual se incluem aliás alguns momentos altos. Depois, Dylan fartou-se de messias laicos e discípulos mal-amanhados, e tornou-se eléctrico e born again e o mais que lhe apeteceu. É verdade que nunca abandonou as «canções de protesto», mas essas canções eram um impulso, mais do que uma posição. Dois terços das canções de Dylan, contas por alto, são recusas, zangas, sarcasmos e ajustes de contas. O motivo pode ser «político» em sentido estrito, ou totalmente umbiguista, ou «cósmico». Dylan está sempre a protestar contra alguma coisa, tanto protesta contra o racismo como contra não o deixarem ficar em determinado hotel, protesta contra as ex-companheiras, contra os infiéis, contra o consumismo, contra a finitude, contra os homicidas, contra os exegetas, contra as expectativas, contra o futuro radioso, e por aí adiante. Não são hinos fulgurantes e datados, mas «canções de protesto» universais.