Redenção
Há uns tempos, escrevi numa crónica: «Há, no entanto, uma redenção possível. A última edição da Vanity Vair traz uma série de fotografias de Lindsay Lohan que a imaginam quase uma heroína hitchcockiana. A rapariga ruiva aparece como mulher loura, de cabelo curto, vestidos elegantes, estivais, chapéu, óculos escuros, e os olhos verde água têm uma intensidade que faz com que Lindsay pareça sempre emocionada, atentíssima ou desfeita. E há também aquela boca carnuda levantada de menina mimada. E a voz, muda nas páginas da revista, mas que conhecemos, rouca, felina, quebrada. Vejo as fotos e penso que não há razão para que Lohan, a celebridade, não se torne enfim em Lohan, a actriz. Depois de a ter visto num Altman, sei que é uma actriz, e que o turbilhão da sua vida («estou a cair aos bocados», confessa) é material bruto para o seu trabalho sobre as emoções». Às fotografias da revista há agora que acrescentar as fotografias em movimento de Richard Phillips (Bienal de Veneza, 2011). É, de novo, a redenção pela beleza e pelo olhar, via Hitchcock. Lohan não vai poder ir à inauguração, pois está em prisão domiciliária, uma vez que violou os termos da liberdade condicional a que estava sujeita.

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