Nem sequer
Carmen Callil, um dos três membros do júri do Man Booker International, demitiu-se das suas funções, depois de os seus colegas terem decidido por maioria atribuir o prémio deste ano a Philip Roth. A fundadora da editora feminista Virago declarou: «He goes on and on and on about the same subject in almost every single book. It's as though he's sitting on your face and you can't breathe». E mais: «I don't rate him as a writer at all». Uns dirão que se trata da antiga hostilidade das feministas à «misoginia» de Roth, palavra que como se sabe designa qualquer descrição honesta e brutal da libido masculina. Callil não quis ir por aí, embora a imagem que encontrou para expressar repugnância seja demasiado sexual para acreditarmos nela. Em todo o caso, Callil não está com meias medidas, diz que Roth nem sequer é um escritor. E porquê? Porque trata dos mesmos assuntos de livro para livro. Como se a marca de um criador importante não fosse precisamente a construção de um universo pessoal, subjectivo, obsessivo, reincidente. Cézanne pintou sessenta vezes o monte Sainte-Victoire. Querem ver que não era sequer um pintor?


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