6/04/2011

O advogado do diabo

Stendhal aconselha aos amigos de um homem funestamente apaixonado algumas maneiras de «curar o amor». Há uma das estratégias que é bastante curiosa: o amigo deve defender constantemente a mulher amada e deve recordar a todo o momento o comportamento dela. Stendhal não explica o efeito, mas imagino que o homem funestamente apaixonado se vá confrontando com uma imagem cruamente factual da amada, e que comece a irritar-se com o facto de um amigo ser capaz de defender até os defeitos dela. O amigo, que fez de advogado do diabo, torna a amada num diabo instrumental. E o homem funestamente apaixonado troca a lamúria pela revolta, e recupera a sua liberdade.