Demasiado tarde
High Windows (1974) revela alguma nostalgia face à ideia de comunidade, nem que seja a comunidade estival ou a infantil. Há mesmo sinais de empatia humana (uma característica nada larkiniana), e uma visão quase pacificada das pessoas comuns que fazem a sua vida comum. Talvez porque Larkin sente que essa «vida comum» está ameaçada. Para ele, a Inglaterra tinha entrado em acentuada decadência civilizacional, era agora uma paisagem degradada, de «cimento e pneus». Uma certa mitologia de comunidade estava em perda com o fim do Império. E o sentido de comunidade desfez-se com a revolução cultural dos anos sessenta e setenta, que acentuou o fosso entre a juventude e os mais velhos. Larkin nunca foi propriamente novo, sempre esteve muito atento à passagem do tempo, às calamidades da velhice, ao envelhecimento precoce, e agora é dos jovens que se sente distante, dos jovens de «1963», ano do primeiro álbum dos Beatles e da descriminalização de Chatterley. Para ele é tarde, demasiado tarde, mostra-se sarcástico com as novas liberdades wilsonianas, e especialmente amargo com a liberdade sexual. Nem filhos tem, «they fuck you up, your mum and dad», e por isso os jovens apenas confirmam que ele está velho, ultrapassado, extinto. Nos poemas, Larkin tenta suportar o tédio em sociedade ou em isolamento, mas fica sempre longe de qualquer horizonte de comunidade ou de felicidade. A vida dos outros é a vida dos outros, inacessível, uma vida que ele espia, inveja, despreza, desconhece. Para ele e os da sua laia só restam «the end of choice, the last of hope».


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