7/04/2011

Fora do mundo

Na entrevista que deu ao Expresso, Vasco Pulido Valente comenta o facto de viver «fora do mundo», como tanta gente o acusa. Num certo sentido, explica, esteve sempre isolado, pois nunca foi católico nem marxista, as grandes mundividências da sua geração. Mas o envelhecimento, o negativismo, a morte de alguns amigos, tudo isso agravou esse distanciamento. E se não fosse a disciplina da coluna trissemanal nem sequer prestava atenção ao mundo. A entrevista, melancólica, acentua muito essa ideia: algumas «figuras públicas» não são exactamente «públicas», e podemos olhar para o que escrevem não como chave da realidade mas como sombras de um teatro privado.