A morte dos antigos
Faz cinquenta anos que Hemingway se matou. Quando eu acreditava que o suicídio era «a mais importante questão filosófica», o tiro na boca de Hemingway representava para mim a morte «romana», a morte dos antigos, mas também a de Mishima ou Montherlant, mortes aristocráticas, teóricas, motivadas, e por isso quase incompreensíveis, por oposição à morte «fragilizada» de Kleist, de Pavese, dos poetas confessionais americanos. Era a morte da força extinta, da honra, da recusa da decadência, uma morte «adulta», que não me dizia nada, ao contrário daquelas desesperadas despedidas adolescentes, o pacto de Kleist, os comprimidos de Pavese, o atropelamento do pobre e fugitivo Jarrell.

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