Caixa de espelhos
«Men in a war / if they lost a limb / still feel that limb / as they did before», lembrei-me da canção da Vega sobre o «phantom limb», essa sensação de que ainda se tem um membro que no entanto foi amputado. É como se o cérebro não soubesse que o braço ou a perna já lá não estão, e ainda registasse sensações, sensações obviamente imaginárias, mas às vezes incomodativas. Um dos métodos para curar o «membro fantasma» é a «mirror box», uma caixa com dois espelhos virados um para o outro. Sendo a paralisia do membro ausente uma das sensações mais frequentes em casos de «phantom limb», a caixa de espelhos supera essa paralisia enganando o cérebro. O amputado põe o braço numa mesa, à frente da caixa, e coloca a caixa no lugar onde devia estar o outro braço; desse modo, quando o braço se mexe, mexe-se também a sua imagem no espelho, e é como se o braço amputado voltasse à vida. E a sensação dolorosa passa. Eu estou a tentar, a sério que estou, mas não funciona.


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