8/28/2011

A ética da autenticidade

O discurso apocalíptico cansa, até pela sua inexactidão. Não é inteiramente verdade que o «relativismo» tenha triunfado. E não é de todo verdade que o «niilismo» tenha triunfado. Mesmo um pessimista cultural tem de criticar esses exageros. Claro que o «ethos» do individualismo é uma ameaça aos «valores comuns» e aos «laços sociais»; mas o «ethos» colectivo, bem ou mal, tem-se reinventado nos últimos tempos, através, por exemplo, da tecnologia. Já chamar «autenticidade» ao impulso individualista parece-me discutível. O «eu» reivindicado por cada pessoa tanto pode ser autêntico como mimético, ou epocal, ou perverso, ou de pechisbeque. Não é a autenticidade que importa, mas a auto-determinação. A «escolha» pode talvez fundar uma ética. Mas a «autenticidade», enquanto ética, vale zero.

[a propósito de The Ethics of Authenticity (1992), de Charles Taylor]