Swinging London
A Pop Art apenas me diverte ou me intriga, nunca me comove. O inglês Richard Hamilton, que morreu há dias, terá sido o inventor da Pop Art em 1957, alguns anos antes de esta se tornar hegemónica na América. É uma arte que ele definiu, e bem, como «popular, efémera, descartável, barata, produzida em massa, jovem, divertida, sexy, lúdica e Grande Capital». De novo: intriga e diverte, mas não comove. E non entanto, há excepções que confirmam a regra. Assim como as séries de acidentes de automóvel ou de cadeiras eléctricas produzidas por Warhol me tocam, o mesmo posso dizer da famosa litografia Swingeing London (1968–9) Partindo de uma fotografia de Mick Jagger e do agente Robert Fraser algemados, detidos por posse de drogas, e com as mãos em frente da cara, Hamilton dá um retrato imediato de uma época, detendo um momento no tempo, um jogo com as cores reais ou dessaturadas, uma afirmação minimalista e tão verídica com uma manchete de jornal. É uma imagem datada, emblemática, excitante, diletante, clínica, afectada, angustiada, hedonista, afinal tudo aquilo que mais gosto no meu filme «swinging London»: o Blow-Up (1966) de Antonioni.


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