Emma Stone
Espero que Emma Stone tenha um bom agente. Só a vi em papéis secundários e menos que secundários em Super Baldas (2007), Amigos Coloridos (2011) e Amor, Estúpido e Louco (2011), e na protagonista de Ela é Fácil / Easy A (2010). Os títulos não enganam: são comédias mainstream, filmes de multiplex, pipoquices. Mas que assombro é Emma Stone em cada um deles, em cada entoação, careta, movimento, interjeição, solilóquio ou hesitação. Trata-se provavelmente da melhor actriz cómica da última década, com uma noção de tempo e uma maturidade técnica impressionantes numa miúda. Espreitem Easy A, uma história que homenageia Hawthorne e os filmes de John Hughes, e onde Emma faz de virgem que aceita ser conhecida como galdéria por motivos muito seus. Quando o vi, tinha uma vaga ideia de quem ela era, e quando acabei de o ver quis saber tudo sobre ela. Emma Stone nasceu em 1988, ainda não fez 23 anos e a sua filmografia é bastante comercialona. Mas talvez tenha um bom agente, agora que repararam nela, em parte por causa de Easy A. No mês passado, a Vanity Fair concedeu-lhe honras de capa, mas o perfil era incompetente e o ensaio fotográfico atroz. Quiseram apresenta-la como uma Lolita, e ela é tudo menos uma Lolita. A Lolita era uma bimba. E Emma parece-me uma das raras actrizes em que a inteligência é visível, tão visível como a sua estranha boca pequena, os seus estranhos olhos enormes, a sua estranha brancura e o falso cabelo ruivo. É mais atraente do que bonita, nada convencional, elegante de corpo mas deselegante de timidez natural ou estudada, escanzelada, muito rouca, muito espantada com tudo, com o espanto insensato dos corajosos. Quando ela diz frases rápidas, divertidas, engenhosas, quase cínicas mas apenas provocantes, acreditamos nela, acreditamos que ela não está a papaguear um discurso mas podia perfeitamente falar assim em casa. Nas entrevistas percebemos que é espertíssima, decidida, focada, profissional. Deus a guarde. A última actriz de Hollywood com genuíno talento cómico, Anna Faris, chegou aos trinta e cinco anos a fazer uma sucessão ininterrupta de filmes pavorosos. De modo que a única actriz cómica de Hollywood que vale o bilhete é a já veterana Jennifer Aniston, que nos últimos anos tem revelado um à-vontade nas regras estritas da comédia que dá gosto de ver. É verdade que o cinema americano de agora quase não produz comédias decentes, e que os únicos papéis verdadeiramente cómicos estão relegados para actores secundários ou figurantes, que fazem a sua cena cómica e desaparecem da narrativa; mas não tem que ser assim. Na geração de Emma Stone, as únicas actrizes realmente boas são talvez Evan Rachel Wood (1987) e Kristen Stewart (1990), mas ambas tendem para a intensidade dramática, e não para a comédia. Faz falta uma comediante incisiva, fresca, impecável. Espero que Emma Stone não se perca, que tenha sorte e um bom agente. Em Hollywood, uma promessa nunca é uma certeza. O mundo está cheio de Alicias Silverstones.

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