Graça
Os meus escritores católicos? Georges Bernanos, pela cólera sagrada, Graham Greene, pela ética paradoxal, Flannery O’Connor, pela brutalidade benigna. É justo chamar-lhes «escritores católicos» na medida em que dificilmente se entende o que escreveram sem uma compreensão mínima da mundividência cristã e da sua declinação católica. Três escritores da «graça», do espírito soberano, irreprimível, insondável, capaz de soprar onde quer como um vento súbito. Já o catolicismo de Waugh, mesmo quando é comovidamente apologético, parece-me sempre fazer parte de um determinado «estatuto», uma forma marcial de antiguidade e certeza. Chesterton é obviamente delicioso, mas chega ao cristianismo por uma via luminosa, e eu sou um pessimista agostiniano. Claudel é demasiado cardinalício e ribombante para o meu gosto. O japonês Endo tem o interesse de ser crente de uma religião «exótica» no seu país, e de por isso se referir ao cristianismo com uma frescura que um ocidental não conseguiria. E há outros, Lewis, Bloy, Mauriac, até o esquecido Walker Percy. Mas eu escolhi há muito as minhas moradas.

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