E ver tudo a cair
O concerto de
Bonnie ‘Prince’ Billy, o segundo que vi dele, baseou-se excessivamente no
repertório mais country, digamos, em geral as
canções de que menos gosto e das quais menos me lembro. Devem ter sido tocados vários temas de Wolfroy Goes to
Town (2011), que ainda não ouvi, mas de que fixei uma canção fantástica,
«New Whaling». No palco, Bonnie ‘Prince’ é uma mistura de mimo, pregador e
boneco articulado, bigode redneck,
uma certa rigidez acompanhada de caretas, braços esticados, pernas a balançar e
um tique qualquer com as calças e os bolsos. Pouco comunicativo mas não
antipático, foi mais formal do que no outro espectáculo que vi, em que estava
com um acompanhamento mínimo, e se mostrou mais festivo e mais negro. As
canções têm uma estrutura bizarra, com quase «recitativos» e aparentes devaneios, mas a banda (guitarra, contrabaixo, bateria, piano, backing vocals) portou-se à altura. E tivemos direito à grande canção moderna sobre a amizade, a
comovente «I See a Darkness». E a «Another Day Full of Dread», esse apocalipse feliz: «and I say: nip! nap! it’s all a trap /bo! bis!
and so was this / whoa! whoa! to haiti go, /and watch it all come down / ding!
dong! a silly song / sure do say something’s wrong / smile awhile, forget the
bile / and watch it all come down».

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