Badinou (1)
Camille é uma orgulhosa. A beatice é nela apenas um constrangimento, a inconstância apenas uma consequência, os ciúmes apenas um pretexto. É orgulhosa e por isso monstruosa. Ignorante e ligeira, destrói a vida dos outros, mais por violência do que por devaneio. Quando ela diz que nem tudo mente numa mulher quando a sua linguagem mente, seria uma confissão admirável se ela não estivesse outra vez a brincar com as palavras. Escudada na defesa de um amor eterno, feliz e sem sofrimento, ou seja, de um amor imaginário, parece caminhar em direcção a um amor anunciado, combinado, prosaico e passageiro. Até que acontece a tragédia que castiga quem brinca com o amor, e o final mais abrupto da história do teatro.
[Não se Brinca com o Amor, de Alfred de Musset, está em cena no Teatro da Politécnica, numa encenação de Jorge Silva Melo]
[Não se Brinca com o Amor, de Alfred de Musset, está em cena no Teatro da Politécnica, numa encenação de Jorge Silva Melo]

<< Página inicial