10 × 19
Não há assim tantas editoras francesas fora de Paris. O caso de maior sucesso comercial e crítico é sem dúvida a Actes Sud. Fundada em 1978 pelo belga Hubert Nyssen (que morreu há dias), a editora está há muitos anos sediada em Arles, no sul, justamente. Tudo podia não ter passado de um projecto simpaticamente à margem. Mas na década de 1980 Nyssen fez uma grande descoberta: uma exilada russa octogenária chamada Nina Berberova, de quem publicou o romance L'Accompagnatrice (1985), e que se tornou um êxito inesperado. Uns anos mais tarde, saiu a taluda à Actes: editaram Stieg Larsson, cujo sucesso colossal permitiu à editora dar um salto de gigante. Actualmente, a Actes Sud dá à estampa 350 livros por ano, um número incrível. O catálogo inclui também gente como Auster, McCarthy, DeLillo, e três Nobel, Grass, Kertész e Jelinek. Como aconteceu isto? O que contou? A boa fortuna, talvez, mas sobretudo o gosto e a dedicação de Nyssen, o seu faro, a relação privilegiada que manteve com os autores, e ainda o aspecto dos livros, nomeadamente aqueles de 10 por 19 centímetros, diferentes de todos os outros e por isso fáceis de lembrar. Uma editora de sucesso é caso raro. Em Arles, ainda mais. E sem cedências. A história da Actes Sud é uma inspiração em época de peste negra.


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