Leituras
Um grande fim de tarde num elegante e sisudo anfiteatro do museu da Ciência. Quatro escritores e os seus textos, não é preciso mais nada. DeLillo é fisicamente frágil e apagado. Leu um excerto de Point Omega, um trecho ensaístico sobre o Psico de Hitchcock na variante lentíssima concebida por Douglas Gordon. Coerente com a sua concepção do mundo, não deu espectáculo. Coetzee parece um aristocrata impecável e impassível, a pronúncia inglesa é imaculada. Anunciou que ia ler um conto durante 12 minutos «and then stop». Leu um conto dialogado, simples, com uma misteriosa referência a uma chave mestra, a que uma personagem se referia como «chave universal». Chegado aos 12 minutos, parou. Auster continua com bom aspecto, voz funda, entoação certa, leu umas páginas de Sunset Park acerca de irmãos em conflito, e ilustrou bem a sua técnica narrativa desenvolta, viciante, nunca alheia aos aspectos fónicos. Mas quem ganhou a sessão foi Hustvedt, que leu com imensa graça uma passagem de The Summer Without Men, uma antologia de magníficas tontices que os cientistas escreveram sobre as mulheres e a definição genética do que é «feminino». Foi incisiva, inteligente divertida, atraente. Os quatro leram num estrado iluminado, com a sala calada e às escuras. Não houve apresentações, biografias, perguntas, conversa fiada. Devia ser sempre assim.

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