11/11/2011

Luzes da cidade















O néon fez cem anos. Quer dizer, o néon é um gás, mas a patente americana daquilo a que habitualmente chamamos «néon» foi registada por Georges Claude em Novembro de 1911. Um ano antes, tinha feito o mesmo em França. Claude era um figurão: fã de Júlio Verne, físico, químico, engenheiro, investigador, empresário, milionário, nacionalista, colaboracionista, esteve preso a seguir à guerra, foi expulso da Academia das Ciências, e o seu nome caiu no esquecimento. No entanto, mudou definitivamente as nossas cidades. Tornou-as feitas de luz. (...)

A modernidade é marcada pela iluminação: primeiro a gás, depois eléctrica, depois a néon. Nascem as grandes cidades iluminadas, onde as pessoas encontram tanto segurança como excitação, a cidade moderna, local diurno e nocturno onde as multidões são expostas a uma constante estimulação nervosa, à variedade, a mensagens difundidas e difusas, à fragmentação da atenção e da consciência. A noite torna-se diferente, não menos noite mas mais noite, o fotógrafo Brassaï disse mesmo que as luzes é que permitiram descobrir o escuro da noite. A conquista da luz redescobriu a noite escura. (...)

[amanhã no Expresso]