11/04/2011

Nada é assim tão literal













Um dos problemas com os filmes pessoais é que as pessoas acham que são autobiográficos. Quando num filme como «Os Tenembaums» mostra uma família disfuncional, as pessoas tendem a perguntar se se trata da sua família. Isso não é desconfortável?

É desconfortável na medida em que me perguntam coisas que não batem sempre certo, e eu tento responder, mas não é fácil, porque nada é assim tão literal. Já escreveram coisas sobre os meus filmes que são ofensivas, por exemplo para o meu pai, que leu coisas de que não gostou nada, porque as pessoas presumem que ele é como o Gene Hackman no «Tenenbaums».

Isso também aconteceu ao seu amigo Noah Baumbach. As pessoas acham que o pai romancista de «A Lula e a Baleia» é o pai dele, que também é romancista.

Só que nesse caso a personagem é mesmo igual ao pai dele.


[entrevista a Wes Anderson, amanhã no Expresso]