11/17/2011

Nalga (2)

A propósito, uma pesquisa Google com a palavra «nalga» dá-nos como primeiro resultado o blogue do Núcleo dos Amigos das Lapas, Grutas e Algares. Isto não se inventa. «Une-nos a aventura da Espeleologia», garantem. O texto mais recente parece-me uma confissão cifrada:

«Integrado na continuação da exploração da Gruta da Contenda (…) regressámos a esta cavidade com o propósito de verificar, em mergulho, os sifões Este e Oeste, a que se acede a partir da Galeria do Rio. Após lenta e penosa progressão até à Galeria do Rio, transportando equipamento colectivo e de mergulho, iniciaram-se preparativos numa sala existente nesta galeria. (…) A primeira imersão realizou-se no sifão Este, ao qual se acede após progressão de cerca de 100 metros em galeria tipicamente de conduta forçada, que se encontrava parcialmente inundada à data do mergulho, com fundo coberto por argila. Devido à inexistência de pontos de amarração de fio guia, foi utilizado um saco de espeleo repleto de pedra para servir de poita, a partir do qual se largou um fio até à superfície com uma garrafa de água a servir de bóia de sinalização, com o propósito de referenciar o ponto de início do mergulho. Iniciada a progressão subaquática, e após avançar 10mts numa galeria de 2,5 por 3 metros de altura, o mergulhador viu-se novamente em galeria semi-inundada com zona aérea de 0,5 metros de altura, prolongando-se numa extensão de 25 metros. Neste ponto verifica-se um rebaixamento do tecto até ao plano de água, após o que se inicia um novo sifão. (…) A cerca de 60 metros de penetração total e com uma profundidade acima dos 7mts, tendo agora exclusivamente fundo arenoso, a visibilidade passa a ser determinada pelo limite da luz. Aos 80 metros de progressão, onde se regista a profundidade de 9mts e secção de 1,5 por 1,5 metros, continua a verificar-se a inexistência de pontos de amarração de fio de ariane. Aproximando-se os terços na gestão de gás, é efectuada uma derradeira tentativa de encontrar pontos de amarração progredindo o mergulhador mais 5 metros.(…) Ficando o sifão Oeste próximo do ponto de base do mergulho anterior, foi iniciada uma nova exploração. Neste sifão a galeria desenvolve-se numa secção de menores dimensões com fundo argiloso nos primeiros 10 metros, passando depois para fundo de areia. A progressão é feita numa galeria de secção uniforme sem grandes oscilações de direcção. A cerca de 45 metros de penetração total, a galeria abre numa pequena sala a partir da qual muda 90 graus de direcção. Progredindo mais 5 metros, o mergulhador constata que a galeria continua mas depara-se com os mesmos problemas do sifão anterior: gestão do ar, total ausência de pontos de amarração de fio guia e visibilidade “0″ no regresso. Neste ponto foi terminado o mergulho a uma profundidade acima dos 8mts. O regresso decorreu sem incidentes».

Acho que nem aqueles «anónimos do séc. XVIII» descreviam isto tão bem.