11/09/2011

Tácito e o seu modelo

Barbey diz que a ficção é mais interessante do que a História: «Lovelace dure plus, dans Richardson, que Tibère dans Tacite». Alguma coisa se ganha no trânsito entre a vívida «imaginação» e a severa «verdade» «Mais, si Tibère, dans Tacite, était détaillé comme Lovelace dans Richardson, croyez-vous que l'Histoire y perdrait et que Tacite ne serait pas plus terrible?». O problema é que a História tem um modelo, e portanto cria uma relação agónica entre «modelo» e «narrador», enquanto na ficção o «modelo», ainda que demoníaco, confunde-se com o narrador, ou seja, está sempre «à sua altura»: «Certes, je n'ai pas peur d'écrire que Tacite, comme peintre, n'est pas au niveau de Tibère comme modèle, et que, malgré tout son génie, il en est resté écrasé».